Geopolítica pela lente do esporte
Das últimas cinco Copas do Mundo, três foram sediadas por países que deliberadamente violam direitos humanos: Rússia em 2018, Catar em 2022 e, em breve, a Arábia Saudita em 2034. Não é coincidência. É estratégia. Fundos soberanos compram clubes de futebol e redes como o Grupo City decidem em que continente investir do mesmo jeito que um fundo de private equity decide onde alocar capital.
Uma parte curiosa é que toda a América Latina joga na periferia quando olhamos pros índices tradicionais de poder, tipo PIB, capacidade militar, avanço tecnológico. No esporte, essa hierarquia se inverte. A região que joga de baixo em qualquer índice de poder joga de cima no campo mais globalmente visível que existe. Entender por que (e o que isso revela sobre soft power, identidade nacional e legitimidade) é o centro do meu trabalho.
Enquanto estudava tudo isso na teoria, também vivi um pouco desse mundo por dentro: passei uns anos entre uma empresa júnior de esporte, um banco e uma emissora de TV, vendo de perto como funciona a engenharia comercial e de mídia que sustenta esse negócio todo. É esse lado prático que me deixa desconfiado toda vez que alguém me vende um número bonito demais ou uma parceria "por amor ao esporte". Eu já vi de perto como esse amor, quase sempre, tem uma planilha por trás.
Prazer, TM!