O que dá pra contar, e o que não dá pra afirmar.
O Mapa foi desenhado a partir de uma distinção que vem da própria teoria de soft power: dá pra contar a estratégia; não dá pra medir, de forma replicável, o resultado dela. Esta página explica onde fica essa linha e por que ela é o alicerce do projeto.
1. O que o Mapa conta
Fatos observáveis e verificáveis: os insumos de uma estratégia de poder no esporte. São quatro vetores. Propriedade: quem compra clube, liga ou circuito (fundos soberanos, Estados, grupos multiclube). Sedes: quem ganha o direito de sediar Copa, Olimpíada, GP ou torneio. Patrocínio: dinheiro de Estado (petroleira estatal, companhia aérea de bandeira) estampado no esporte. Naturalização: troca de nacionalidade esportiva como política de Estado. Cada um deixa rastro público: comunicado, contrato, cifra, data.
2. O que o Mapa não afirma
Que aquele investimento comprou admiração, mudou percepções ou "gerou soft power". Joseph Nye, que cunhou o conceito, separa o recurso (que se afere por pesquisa de opinião) do resultado (a mudança de preferência alheia, que ele diz ter de ser julgada caso a caso). Os índices sérios de soft power são todos de percepção: o Brand Finance ouve mais de 170 mil pessoas em 100+ mercados; o antigo Soft Power 30 combinava dados objetivos com sondagem. Nenhum mede soft power contando notícia — e a academia de esporte-e-poder (Grix, Chadwick) trata a conversão investimento→atração como praticamente impossível de provar. Por isso o Mapa conta a estratégia e para aí. A leitura de significado é feita nas análises, sempre declarada como interpretação.
3. Como um fato entra
A régua é simples: fato com dúvida não entra. Cada linha precisa de fonte pública citável (imprensa séria, comunicado oficial, relatório) e é classificada em dois níveis. Confiança alta: nome, ano, participação e valor conferidos em fonte sólida. Confiança média: o fato é real, mas a cifra é estimativa jornalística ou contestada — nesse caso ela aparece marcada como "cifra estimada", e o texto explica a ressalva. Onde não há valor público confiável, o campo fica vazio em vez de receber número inventado.
4. Limitações declaradas
O Mapa é um recorte, não um censo. Ele privilegia os casos de maior peso geopolítico e vai crescendo; a ausência de um caso não significa que ele não exista. Cifras de patrocínio e de custo de megaevento são notoriamente infladas na imprensa, e por isso tantas entram como estimativa. Contratos costumam ser confidenciais. E o próprio critério de "o que é poder" é uma escolha editorial, aberta a debate. Nada disto é escondido: o dado é aberto justamente pra você conferir e contestar.
5. Dado aberto e uso
O Mapa inteiro é baixável em JSON e CSV, com as fontes de cada linha. Pode usar, citar e republicar, com crédito a Tales Matta e link pra fonte original de cada fato. Se você achar um erro ou tiver um caso pra incluir, escreve: correção é bem-vinda e o histórico é público.