8. Implicações para quem decide
Se o argumento deste texto está correto, ao menos três categorias de decisor têm motivo prático para revisar premissas.
Para campanhas políticas e consultores de comunicação, a implicação central é que o valor estratégico de uma aliança como esta não está no esporte em si, mas no mapeamento preciso de onde um público-alvo específico já consome informação. Replicar o modelo exige identificar o ecossistema de mídia alternativa correto para cada público, não necessariamente o UFC especificamente.
Para organizações esportivas, o caso ilustra um risco reputacional novo: aceitar a proximidade de uma figura política polarizadora pode trazer alcance e relevância cultural, mas também associa a organização a um lado de uma disputa que sua base de fãs não compartilha integralmente (45% dos fãs de esportes de combate na pesquisa Harris/Sportico se identificam como mais liberais). O UFC optou por aceitar esse risco; nem toda organização esportiva faria a mesma escolha.
Para pesquisadores de sportswashing, a implicação teórica é a mais relevante: o conceito, tal como formulado pela literatura, pressupõe um ator buscando legitimidade externa ou internacional. O caso Trump-UFC sugere que o mesmo instrumento pode operar puramente no eixo doméstico, mirando não a opinião internacional, mas um segmento específico do próprio eleitorado, e que o mecanismo de transmissão pode ser mais sobre plataforma de mídia do que sobre esporte como símbolo. Isso sugere que a literatura precisa de uma categoria distinta, ou ao menos de uma subcategoria declarada, para esse uso doméstico e mediado por plataforma, que não se confunde inteiramente com o sportswashing clássico voltado para fora.