Tales Matta.
Capítulo 10 de 10 A FIFA tem mais membros que a ONU. E isso é um mapa do poder

10. Conclusão

A resposta à pergunta de pesquisa que abriu este texto: a diferença entre 211 e 193 não é o resultado de uma única lógica, é a sobreposição de três. A maior parte da divergência é herança institucional de quem organizou o futebol primeiro, antes de qualquer regra travar a porta (H2). Uma fração pequena e politicamente carregada da divergência reflete demanda real por reconhecimento simbólico de baixo custo, mais visível quanto mais contestada é a identidade nacional em jogo (H1). E o sistema não é uma esteira passiva: quem decide quem entra, quem sai e quem fica de fora aplica critério próprio, de forma seletiva e às vezes reversível em questão de meses (H3).

A contribuição deste texto foi reconstruir doze casos verificados dessa divergência, corrigir afirmações que circulavam de forma imprecisa na cobertura popular do tema, e testar três explicações concorrentes em vez de assumir a mais citada (reconhecimento de baixo custo) como autoevidente. A explicação mais completa não é nenhuma das três sozinha: é a soma das três, com pesos diferentes em casos diferentes.

Fica a pergunta que este texto não resolve e que trabalhos futuros deveriam perseguir: se o autointeresse institucional (H3) pesa tanto quanto a evidência de Zanzibar e da Saara Ocidental sugere, o que explica a FIFA aceitar o risco político de admitir Kosovo em 2016, sabendo que a Rússia reagiria mal? A resposta mais provável, que este texto sugere sem poder provar, é que o cálculo de autointeresse da FIFA não é fixo: muda conforme quem está no poder da entidade, e a era pós-2015 (pós-escândalo de corrupção, sob nova gestão) pode ter mudado o apetite da organização para votações politicamente arriscadas de um jeito que a era Blatter não permitia.

Referências

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